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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

LITERATURA | Segunda Geração Modernista

     
    O sentimento regionalista da geração de 30 e o canto do pássaro nordestino:
Patativa do Assaré

    O modernismo foi uma fase de ruptura que destruiu antigas estéticas no mundo da arte. A literatura no Brasil passou a ser voltada para as raízes nacionais, e a ideologia da época estava direcionada para a análise crítica da relação entre o homem e a sociedade. Também chamada de neorrealista, a fase do modernismo retomou parcialmente as ideias do naturalismo, mas considerando o homem como um ser de conflitos interiores e traços emocionais. Na primeira geração, a de 1922, a literatura desvinculou-se do passado colonizador, e inseriu uma linguagem de inovações formais e estéticas.

Segunda geração modernista
    A Segunda Geração Modernista, também chamada de Geração de 1930, se consolidou em um período de tensões ideológicas em período de guerras. Acontecia a Segunda Guerra Mundial, e o Estado novo no Brasil – ditadura de Getúlio Vargas 1937-45. Nesta época, ditaduras foram surgindo e grandes transformações aconteceram na política brasileira.
    O pessimismo estava presente em toda a sociedade, o que gerou uma inquietação que se refletiu nas expressões literárias. Na Geração de 1930, a literatura passou a ser mais voltada à realidade social brasileira, e sua prosa dividiu-se em três vertentes.

      A prosa regionalista  inspirou-se no regionalismo nordestino, mostrando problemas sociais decorrentes da crise, além da atividade açucareira e das correntes migratórias, enfatizando o descaso dos políticos.
     Os representantes românticos desta fase, cultuavam a prosa urbana. Esta mostrava os conflitos sociais e a relação entre o homem e o meio, e o homem e a sociedade.
Já a prosa intimista representava uma inovação do período. Baseada em teorias freudianas, esta prosa mostrava mais os conflitos íntimos dos personagens, além de seu mundo interior.

Características

   Como citado anteriormente, esta fase buscava refletir a realidade social e econômica brasileira. Os romances eram carregados de denúncias e mostravam as relações do “eu” com o restante do mundo. O regionalismo teve grande importância nesta fase, destacando a seca, a migração, os problemas do trabalhador rural e a miséria. Dentre as temáticas trabalhadas, entraram também os romances urbanos e psicológicos. Se comparado à era naturalista, o modernismo, em sua segunda fase, afastou-se do apego ao cientificismo.

Principais autores e obras da época:
·         Rachel de Queiroz: “O Quinze e João Miguel”, “Caminho das Pedras”, “As três Marias”, “Dôra, Doralina” e “Memorial Moura”.
·         José Lins do Rego: “Menino de Engenho”, “Doidinho”, “Banguê”, “Usina” e “Fogo Morto”.
·         Graciliano Ramos: “Caetés”, “São Bernardo”, “Angústia”, “Vidas Secas”, “Insônia”, “Infância”, “Memórias do Cárcere” e “Viagem”.
·         Jorge Amado: “Cacau”, “Jubiabá”, “Capitães de Areia”, “Terras do Sem-Fim”, “São Jorge dos Ilhéus”, “Quincas Berro D´água”, “Os pastores da Noite”, “Dona Flor e seus dois maridos”, “Tenda dos Milagres”, “Teresa Batista cansada de guerra”, “Tieta do Agreste”, “Farda, fardão, camisola de dormir” e “A descoberta da América pelos Turcos”
·         Érico Veríssimo: “Clarissa”, “Música ao Longe”, “Um Lugar ao Sol”, “Olhai os Lírios do Campo”, “O resto é silêncio”, “O Tempo e o Vento” e “O Retrato”.
A poesia do Patativa do Assaré
No século XIX, o sertanismo foi um dos desdobramentos do regionalismo adotado por José de Alencar em alguns romances como meio de concretizar seu ideal de constituir a nação através de produção literária abrangente no tempo e no espaço
    No segundo momento do Modernismo brasileiro, nos anos de 1930, como já foi citado nessa publicação, o sertão assume importância fundamental na construção de romances que se dedicam à representação crítica da sociedade brasileira, consolidando-se como um dos espaços reais e imaginários mais recorrentes na produção literária nacional, e que, mais do que cenário, serviu como motivo central em obras fundamentais como Os Sertões, de Euclides da Cunha; Vidas secas, de Graciliano Ramos; Grande sertão:veredas, de João Guimarães Rosa; Morte e vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, entre muitas outras obras.
     Tão variados são os enfoques através dos quais o sertão foi percebido e descrito pelos escritores ao longo dos séculos que seria possível descrever os diversos momentos da literatura brasileira a partir de sua representação, oscilando entre o retrato idealizado e idealizador e uma perspectiva mais realista. Como ponto de contato entre esses distintos modos de representação, entretanto, despontam traços como a ênfase na beleza, exuberância e força da natureza; na relação visceral entre o sertanejo e seu espaço; na tenacidade desse sertanejo, que resiste a toda sorte de provações impostas pelo meio e pelas estruturas sociais que opõem o mundo do sertão ao espaço da cidade e do litoral.
Se a hipotética proposta de escrever a história da literatura brasileira a partir do tema do sertão não se fechar em torno da produção canônica escrita, certamente será encontrada expressiva quantidade e variedade de obras, já que manifestações de literatura popular, tradicional e oral cantam o sertão em prosa e verso. Nesse contexto, a Literatura de Cordel, bastante difundida no nordeste e norte do país, figura como importante fonte de estudo e de análise do modo como o sertão tem sido representado, e Patativa do Assaré, um dos expoentes máximos dessa manifestação cultural, pode ser lido como um cantador do sertão.
    Uma das principais figuras da música nordestina do século XX. Segundo filho de uma família pobre que vivia da agricultura de subsistência, cedo ficou cego do olho direito por causa de uma doença. Com a morte de seu pai, quando tinha oito anos de idade, passou a ajudar sua família no cultivo das terras. Aos doze anos, frequentava a escola local, em qual foi alfabetizado, por apenas alguns meses . A partir dessa época, começou a fazer repentes e a se apresentar em festas e ocasiões importantes. Por volta dos vinte anos recebeu o pseudônimo de Patativa, por ser sua poesia comparável à beleza do canto dessa ave.
    Indo constantemente à Feira do Crato onde participava do programa da Rádio Araripe, declamando seus poemas. Numa destas ocasiões é ouvido por José Arraes de Alencar que, convencido de seu potencial, lhe dá o apoio e o incentivo para a publicação de seu primeiro livro, Inspiração Nordestina, de 1956.
    Este livro teria uma segunda edição com acréscimos em 1967, passando a se chamar Cantos do Patativa . Em 1970 é lançada nova coletânea de poemas,Patativa do Assaré: novos poemas comentados, e em 1978 foi lançado Cante lá que eu canto cá. Os outros dois livros, Ispinho e Fulô e Aqui tem coisa, foram lançados respectivamente nos anos de 1988 e 1994. Foi casado com Belinha, com quem teve nove filhos. Faleceu na mesma cidade onde nasceu.
    Obteve popularidade a nível nacional, possuindo diversas premiações, títulos e homenagens (tendo sido nomeado por cinco vezes Doutor Honoris Causa). No entanto, afirmava nunca ter buscado a fama, bem como nunca ter tido a intenção de fazer profissão de seus versos. Patativa nunca deixou de ser agricultor e de morar na mesma região onde se criou(Caririri) no interior do Ceará. Seu trabalho se distingue pela marcante característica da oralidade. Seus poemas eram feitos e guardados na memória, para depois serem recitados. Daí o impressionante poder de memória de Patativa, capaz de recitar qualquer um de seus poemas, mesmo após os noventa anos de idade.
    A transcrição de sua obra para os meios gráficos perde boa parte da significação expressa por meios não-verbais (voz, entonação, pausas, ritmo, pigarro e a linguagem corporal através de expressões faciais, gestos) que realçam características expressas somente no ato performático (como ironia, veemência, hesitação, etc.). A complexidade da obra de Patativa é evidente também pela sua capacidade de criar versos tanto nos moldes comonianos (inclusive sonetos na forma clássica), como poesia de rima e métrica populares (por exemplo, a décima e a sextilha nordestina). Ele próprio diferenciava seus versos feitos em linguagem culta daqueles em linguagem do dia a dia (denominada por ele de poesia "matuta").

EQUIPE: Adenilson Nascimento e João Vitor

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